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13.5.08

Relíquias de família

Dois objetos


Na minha família temos dois objetos interessantes, a imagem de São João e o “Caderno Verde” que contam um pouco da nossa história. São objetos peculiares com trajetórias comuns iniciadas, aproximadamente em 1868, por João Pacheco de Almeida Prado, o João Pacheco, meu tataravô, e passam de um João Pacheco para o João Pacheco seguinte. Até agora temos tido sorte, chegamos ao sexto João Pacheco, em linha direta, meu sobrinho Joãozinho, filho do Janjão.
O primeiro é a imagem de São João, nosso protetor, que chegou a Jahú com meu tataravô, por volta de 1868. De aproximadamente 60 cm de altura tem como característica o olhar muito expressivo, que na infância nos causava medo. Posteriormente a imagem foi abrigada em um oratório pela minha bisavó Sinharinha, esposa do Joanico Pacheco. Existe também certa polêmica se é a imagem de São João Baptista ou de São João Evangelista, alguns atribuem o cordeiro ao primeiro e o Evangelho sob este ao segundo.
O segundo é o “Caderno Verde” iniciado também por João Pacheco, que embora tenha falecido muito cedo, com apenas vinte e quatro anos, deixou ali registrados fragmentos de suas preocupações e expectativas relativas a sua mudança para a nova villa. É parte de um caderno maior, cortado de forma quase regular na parte inferior, com dimensões 21cm x 14,5cm e 24 páginas. De capa verde, apresenta uma tira de couro adaptada como lombada, borda enfeitada em dois lados e a capa contendo etiqueta que indica Caderno para assentar nascimentos.
João Pacheco destinou as duas folhas iniciais para assentar o nascimento de escravos, a terceira para assentar os nascimentos de seus filhos com Francisca Eufrosina (a mesma tataravó do Eduardo Lyra): Vicente (1868-1871) e João (1869), o Joanico Pacheco. Não assentou seu terceiro filho, também batizado por Vicente, pois faleceu antes do nascimento deste. Tinha um modo peculiar de registro indicava o nome, o dia, o mês, o ano e a hora e em seguida o batizado, dia, mês, ano, acrescidos da indicação do padrinho, da madrinha e do local. Registrou também o falecimento do seu primeiro filho, Vicente, em 1871 aos 3 anos e 20 dias.
Na sexta e sétima folhas anotou aspectos de sua mudança de Limeira para Jahú em 1868; o início de sua plantação de café; as promessas e doações que fez à Paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio; a geada de 1870; a formação dos seus três primeiros talhões em 1869, o Fé, o Esperança e o Caridade e os dois talhões seguintes em 1871, o São Vicente e o Santo Antonio.
Para nós, seus descendentes, são objetos preciosos aos quais dedicamos muito apreço. Os registros dos assentamentos dos nascimentos continuam sendo realizados pelas gerações posteriores e o São João continua ouvindo nossas preces.



(Texto de Estherzinha Pacheco de Almeida Prado com contribuições familiares, em especial dos tios Sônia e Sérgio Octávio de Almeida Prado Bruno.)

2 comentários:

Magdiel disse...

Olá!
Gostaria de saber mais informações da descendia do Sr.João Pacheco.
Meu trisavô é Manoel Bernardes Pacheco.
Sem mais Magdiel/52/Caieiras/sp

BIS!!! disse...

Oi Magdiel, envie seu email. abçs Estherzinha