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5.5.08

2008, 150 anos dos Almeida Prado em Jahu

A família Almeida Prado vai completar em 2008 150 anos de Jaú e já prepara a comemoração. A escritura da primeira fazenda que os Almeida Prados compraram na região, a Fazenda Pouso Alegre, é datada de 20 de setembro de 1858 – transferida de Francisco Gomes Botão para seis irmãos: Lourenço de Almeida Prado, Vicente de Almeida Prado, Francisco de Paula Almeida Prado, João de Almeida Prado, Antônia de Almeida Prado e Leonor de Almeida Prado. Eles eram de Itu e faziam parte de uma prole de 22 filhos. Logo depois e com o passar do tempo outros irmãos, sobrinhos e primos também aportaram no município, a chamado ou por conta própria. Os descendentes estão chegando hoje à sexta, sétima e até oitava geração.
Os Almeida Prado em Jaú são milhares, incluindo os que têm outros sobrenomes devido à descendência materna. Destaque-se ainda que os mais antigos tinham o costume de alterar o sobrenome para conservar nomes familiares como João, Lourenço, Vicente, Luciano, Francisco, José. Há vários Prado de Almeida, como eu. Há também sobrenomes criados pelos pais para diferenciar seus descendentes. Dentre as mulheres, do mesmo modo se sobressaem nomes familiares como Ana Brandina, Alda Brandina, Carolina, Isalina, Maria, Francisca...
Apesar do parentesco e mesmo dos nomes comuns, alguns mal se conhecem, outros nem se conhecem – não só por serem numerosos, mas também porque cada núcleo familiar desenvolveu-se de acordo com suas próprias circunstâncias sociais, econômicas, políticas, etc., como acontece com todas as famílias. Mas é praxe na cidade os Almeida Prados se tratarem por “primo” ou “parente”.
Eles foram os introdutores no município da cultura do café, então chamado de ouro negro. Com a fertilidade da terra roxa e o conhecimento agrícola-operacional que trouxeram, muitos ficaram ricos, ligando a imagem da família à prosperidade e por conseqüência ao poder. Destaco dois, diferenciados: o dr. Vicente Prado da primeira geração de Jaú (filho de Francisco de Paula, o Major Prado), que foi banqueiro, líder político e senador estadual, e o empresário, talvez o maior do País, Sebastião Camargo, da terceira geração (bisneto de Antônia).
Prefeitos foram vários, vereadores, mais ainda, deputados, alguns. Médicos, advogados, comerciantes, fazendeiros, empresários de sucesso... Como foi dito acima, cada núcleo familiar ou mesmo cada pessoa vive de conformidade com suas circunstâncias próprias. Muitos descendentes, assim, se direcionaram para profissões diversas e mesmo para serviços gerais, sobrevivendo do seu próprio trabalho, inclusive braçal.
Os Almeida Prado de Jaú foram fundamentais, ao lado de outras personalidades de outras famílias antigas e tradicionais da cidade, para a fundação do Jaú Clube, prédio que leva a assinatura do arquiteto Ramos de Azevedo, inaugurado em 1915. Até hoje a maioria dos presidentes e diretores do clube são da família.
Os Almeida Prado têm na sua história um capítulo significativamente marcante. A Convenção de Itu, manifestação inicial do movimento republicano brasileiro, em 1873, foi presidida por um deles, João Tibiriçá Piratininga, que mudou seu sobrenome, abrasileirando-o, para marcar esta posição de independência. Ele era irmão de Antônia e meio-irmão dos outros cinco pioneiros jauenses. A Convenção foi realizada na casa dos sobrinhos deles, filhos do irmão mais velho Francisco, José e Carlos Vasconcelos de Almeida Prado, local que hoje abriga o Museu Republicano na cidade de Itu.
Já no final do Império, D. Pedro II chegou a manifestar sua contrariedade com a cidade quando, em visita à região, preferiu pernoitar em Mineiros do Tietê. Nem sequer passou por Jaú.
Primos e parentes já começaram a se mobilizar para a comemoração – que terá missa na Igreja Matriz de Jaú, que a família também ajudou a construir, visita ao Jaú Clube Centro e festa no Jaú Clube de Campo. Será realizada no dia 13 de setembro e aberta, republicanamente, a todos os parentes e amigos que quiserem fazer parte dela.
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(Este artigo foi publicado pelo jornal Comércio do Jahu do dia 09 de janeiro de 2008 e foi atualizado pelo autor, que é da 5ª geração dos Almeida Prados de Jaú. Pertence aos ramos dos pioneiros Vicente e João.)
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Texto de João Prado de Almeida Pacheco

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